Poema Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade

Poema Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade

O poema Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade é atemporal. Serviu para uma sociedade recém industrializada, com a influencia do comunismo e do nazismo e serve hoje para a nossa sociedade contemporânea, onde parece tão novo, tão fresco como se tivesse sido escrito ontem.

Não deixe de conferir o vídeo no final dessa pagina.

Veja o Poema em Linha Reta de Fernando Pessoa.

Poema Elegia 1938

Trabalhas sem alegria para um mundo caduco,
onde as formas e as ações não encerram nenhum exemplo.
Praticas laboriosamente os gestos universais,
sentes calor e frio, falta de dinheiro, fome e desejo sexual.

Heróis enchem os parques da cidade em que te arrastas,
e preconizam a virtude, a renúncia, o sangue-frio, a concepção.
À noite, se neblina, abrem guarda-chuvas de bronze
ou se recolhem aos volumes de sinistras bibliotecas.

Amas a noite pelo poder de aniquilamento que encerra
e sabes que, dormindo, os problemas te dispensam de morrer.
Mas o terrível despertar prova a existência da Grande Máquina
e te repõe, pequenino, em face de indecifráveis palmeiras.

Caminhas entre mortos e com eles conversas
sobre coisas do tempo futuro e negócios do espírito.
A literatura estragou tuas melhores horas de amor.
Ao telefone perdeste muito, muitíssimo tempo de semear.

Coração orgulhoso, tens pressa de confessar tua derrota
e adiar para outro século a felicidade coletiva.
Aceitas a chuva, a guerra, o desemprego e a injusta distribuição
porque não podes, sozinho, dinamitar a ilha de Manhattan.

Fim do poema Elegia 1938 de Carlos Drummond de Andrade.

Veja a linda crônica Recado de Primavera, escrita por Rubem Braga para Vinicius de Moraes.

Vídeo do poema Elegia 1938

No vídeo abaixo, você vai ouvir o poema Elegia 1938, de Carlos Drummond de Andrade sendo declamado.


Poema Elegia 1938 de Carlos Drummond de Andrade

Veja o genial poema de Vinicius de Moraes, Balada do Mangue.

Sobre o poema Elegia 1938

Hoje em dia muita gente usa esse poema como argumentação política no cenário contemporâneo para defender ou criticar ideologias, mas isso está completamente errado e fora do tempo em que o poema foi escrito.

Drummond construiu essa poesia em sua época, para a sua época, e embora ela ainda seja forte no contexto de crítica social atual, eu não acredito que ela ainda sirva para defender ideologias A ou B. O mundo mudou, o poema é um vislumbre do passado, de seu tempo, e hoje em dia pode ser lido como uma obra de arte ou como uma forma de entender o pensamento da época.

Veja também o poema Lembrança de Morrer, de Álvares Azevedo.

O que você achou do poema Elegia 1938? Deixe seu comentário no final dessa pagina, e não se esqueça de curtir e compartilhar a poesia de Carlos Drummond de Andrade!

Veja a letra da música Sistema Nervoso.

 

Poema Elegia
Poema de Carlos Drummond de Andrade

 
Veja a crônica de Vinicius de Moraes A Asa do Arcanjo.

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