Poema Lembrança de Morrer de Álvares Azevedo

Poema Lembrança de Morrer de Álvares Azevedo

Álvares de Azevedo, que nasceu em 1831 e morreu em 1852, foi um dos maiores poetas brasileiros. Contista, dramaturgo, poeta e ensaísta, Álvares Azevedo foi o autor do famoso livro Noite na Taverna e do poema Lembrança de Morrer, que você vai ver nessa pagina.

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta, sonhou e amou na vida. – Fragmento do poema Lembrança de Morrer.

Esse poema conta a história de alguém que morre, parece triste, mas Álvares de Azevedo escreve de forma lírica, bela e atemporal.

Segue, na íntegra, um de seus mais conhecidos poemas: Lembrança de Morrer.

Veja o Poema em Linha Reta de Fernando Pessoa.

Lembrança de Morrer

Quando em meu peito rebentar-se a fibra,
Que o espírito enlaça à dor vivente,
Não derramem por mim nenhuma lágrima
Em pálpebra demente.

E nem desfolhem na matéria impura
A flor do vale que adormece ao vento.
Não quero que uma nota de alegria
Se cale por meu triste passamento.

Eu deixo a vida como deixa o tédio
Do deserto, o poento caminheiro,
Como as horas de um longo pesadelo
Que se desfaz ao dobre de um sineiro.

Como o desterro de minh’alma errante,
Onde fogo insensato a consumia,
Só levo uma saudade – é desses tempos
Que amorosa ilusão embelecia.

Só levo uma saudade – é dessas sombras
Que eu sentia velar nas noites minhas…
De ti, ó minha mãe, pobre coitada,
Que por minha tristeza te definhas!

De meu pai… de meus únicos amigos,
Pouco – bem poucos – e que não zombavam
Quando, em noites de febre endoudecido,
Minhas pálidas crenças duvidavam.

Se uma lágrima as pálpebras me inunda,
Se um suspiro nos seios treme ainda,
É pela virgem que sonhei… Que nunca
Aos lábios me encostou a face linda!

Só tu à mocidade sonhadora
Do pálido poeta deste flores…
Se viveu, foi por ti! e de esperança
De na vida gozar de teus amores.

Beijarei a verdade santa e nua,
Verei cristalizar-se o sonho amigo…
Ó minha virgem dos errantes sonhos,
Filha do céu, eu vou amar contigo!

Descansem o meu leito solitário
Na floresta dos homens esquecida,
À sombra de uma cruz, e escrevam nela:
Foi poeta, sonhou e amou na vida.

Sombras do vale, noites da montanha
Que minha alma cantou e amava tanto,
Protegei o meu corpo abandonado,
E no silêncio derramai-lhe canto!

Mas quando preludia ave d’aurora
E quando à meia-noite o céu repousa,
Arvoredos do bosque, abri os ramos…
Deixai a lua pratear-me a lousa!

Fim do poema Lembrança de Morrer.

Veja a linda crônica Recado de Primavera, escrita por Rubem Braga para Vinicius de Moraes.

Vídeo do poema Lembrança de Morrer

O excelente vídeo abaixo mostra Roberto Mallet declamando o poema Lembrança de Morrer, de Álvares Azevedo. Foi uma das melhores declamações desse poema que eu consegui encontrar. Espero que vocês também gostem!


Poema Lembrança de Morrer – de Álvares Azevedo

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Veja o poema Embriague-se, de Baudelaire.

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Veja o genial poema de Vinicius de Moraes, Balada do Mangue.

 

Lembrança de Morrer
Fragmento do poema Lembrança de Morrer

 

Alvares de Azevedo
Fragmento do poema Lembrança de Morrer

 
Veja o Poema Elegia 1938 de Drummond.

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